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Madrinha, tens umas coisas esquisitas nas pernas! – Esta foi a reação da minha
afilhada ao ver-me a primeira vez de biquíni.
- Pois,
Ana, sabes… é que…ora bem… é que a madrinha….a madrinha é….. gordinha, e isso é
celulite! – Respondi.
Meu
Deus, o que estou a fazer? A explicar à minha afilhada porque é que sou gorda?
Teria que passar dias a divagar sobre o tema e não encontraria resposta.
A minha
luta começou há muitos anos atrás. Esperem luta, não! Não se pode chamar luta
quando não se leva nada até ao fim. Numa luta não podes simplesmente desistir a
meio. Do género: - Desculpem mas agora não me apetece lutar mais e vou ali
comer uma tablete inteira de chocolate.
Quando começo uma dieta, começo sempre bem. Animada e com vontade de vencer.
Normalmente
no 1º Mês resultados excelentes, perda de peso considerável, enfim um
verdadeiro mar de rosas.
E
depois… Aquele bichinho fica na minha cabeça a sussurrar: - tens umas bolachas
no armário que iam mesmo bem agora. Como no início opto por ignorar, passado
algum tempo: - então de que estas à espera? Bolachas, bolachas no armário, só
estas não te fazem mal.
Para quem passa por isto, sabe tão bem como eu, que após algum tempo a fazer qualquer dieta ouvimos estas tais vozes maléficas. Passamos em qualquer lado, num café, restaurante, num hipermercado, e ficamos de água na boca com tudo aquilo que nos é proibido.
Durante
o dia enquanto bebemos a nossa água ou comemos o nosso iogurte magro, vem-nos à
ideia que me apetecia uma nata, um chocolate, uma massa à bolonhesa, enfim.
E isto
dura enquanto durar a nossa teimosia em querer ignorar o obvio: que somos tão
dependentes da comida que o desmame é difícil e por vezes impossível.
Até que
chega a um ponto em que não pensamos em mais nada: - tenho que comer isto, mas
não posso, mas apetecia-me tanto, não tenho que resistir! Esta é a triste
realidade de quem faz dieta.
Alguém
já deixou de fumar? Eu já e foi mais fácil do que me privar do chocolate, das
bolachas das jantaradas… Digo isso com conhecimento de causa.
É obvio que quando nos pesamos e a balança nos dá boas noticias e constatamos que já foram embora uns kilitos, ou que as calças já ficam folgadas, ficamos muito contentes. Mas por outro lado, num outro cantinho de nós, existe alguém a questionar se terá valido a pena…é como se nós próprias pesássemos na balança, de um lado os quilos que perdemos do outro os alimentos que não podemos comer…
E é ai que muitas vezes tudo se perde. O acumular da tensão, o constantemente pensar naquilo que não se pode, é como uma bola de neve…Até que um dia rebenta…
E
devoramos tudo aquilo que nos vem pela frente.
E agora
fazemos de novo? Não, perdido por cem, perdido por mil…Para que, sou mais feliz
assim…Mas será mesmo?
